Pra falar a verdade, hesitei bastante antes de decidir escrever esse post. Apesar de ter recebido alguns pedidos, é um assunto bem íntimo, e, pelo menos pra mim, um tanto quanto delicado. Mas acredito que a minha experiência possa ajudar futuras mamães a não cometer os mesmos erros que eu. Não, não diria que tenham sido erros, mas espero ajudá-las a seguir um caminho diferente.
Bom, como contei nesse post aqui, me preparei bem para amamentar quando ainda estava grávida.
Juntamente com o sonho de ser mãe, estava o sonho de amamentar meu bebê. Mas já tinha lido muitos depoimentos pra saber que não é tão simples assim. Além disso, vários fatores dificultariam minha amamentação:
MOTIVOS PARA A FALTA DE LEITE
1. Dez anos atrás fiz cirurgia redutora de mamas. Infelizmente, o que acontece na maioria dos casos é que junto com a gordura são retiradas também muitas glândulas mamárias. Não me arrependo de ter feito a cirurgia, mas se eu soubesse que isso ia prejudicar quando tivesse meu bebê teria esperado para operar depois de ter filhos.
2. Escolhi fazer uma cesárea ao invés de parto normal. Em mamães que optam pela cesárea o leite demora mais a descer.
3. Na minha família as mulheres têm um histórico de pouco leite.
Mas apesar de todas essas dificuldades eu estava determinada e ia fazer tudo que estivesse ao meu alcance.
SOBRE DAR LEITE ARTIFICIAL NA MATERNIDADE
Quando estava mais ou menos no quarto mês de gestação, entrei num grupo do Facebook chamado Grupo Virtual de Amamentação (GVA). É excelente, aprendi muita coisa com as mamães de lá.
Foi lá também que li que mesmo quando o leite demora a descer após o parto, não deve-se dar o complemento na maternidade, pois isso enche a barriga do bebê e ele não tem fome para sugar o peito da mãe. E o ato de sugar é justamente o que é preciso para o leite descer. A conclusão então é que bebê que toma complemento na maternidade retarda e/ou dificulta a produção de leite da mãe, aumentando as chances de precisar de suplemento pra sempre.
Vou confessar a vocês que isso me assustou. Como eu tinha escolhido fazer uma cesárea (contei tudo sobre ela nesse post aqui), sabia que as chances eram que o leite demorasse alguns dias para descer. No grupo elas diziam que o bebê não sentiria fome, pois mamaria o colostro que eu produziria, mesmo que não visse nem sinal do leite, e que as poucas gotinhas que ele mamasse seriam suficientes para satisfazê-lo até o leite descer.
Entrei numa paranóia de não querer que dessem complemento no hospital. Cheguei a falar sobre isso com o pediatra que acompanharia o parto e até fui ao hospital conversar com a chefe de enfermagem. Mas ouvi de ambos a mesma resposta: que o procedimento padrão era dar SIM o complemento caso a mãe não tivesse leite, sob risco do bebê ter uma crise de hipoglicemia com consequências graves. E que se eu decidisse mesmo que não queria que dessem eu teria que assinar um termo de responsabilidade sobre qualquer problema que isso pudesse trazer ao meu bebê.
Bom, com tudo isso desisti né. Entre ela precisar de complemento pra sempre ou ter problemas de saúde por minha causa, não tive dúvidas e decidi deixar darem o leite caso fosse necessário.
O PRIMEIRO CONTATO
Como já contei aqui, eu pesquisei muito para aprender sobre a pega correta,para evitar dores, fissuras e até sangramento no peito.
Assim que a Emily nasceu e fui para a sala de recuperação da cesárea, lá mesmo a enfermeira me disse para colocá-la para mamar. Me entregou aquela trouxinha pequenininha e saiu. Eu, que nem podia levantar a cabeça da maca por causa da anestesia nem conseguia me erguer por causa do corte e dos pontos, precisava me certificar que ela pegaria o peito da maneira correta. Mas se eu não conseguia nem enxergar meu peito e muito menos a boquinha dela!
Pedi pra enfermeira me ajudar, porque eu não queria que ela pegasse errado. A resposta dela foi: "Mãe, bebê é igual bezerro, é só colocar ela no peito pra chupar". E saiu.
Então, eu arrumava a boquinha dela com meus dedos, para os lábios ficarem viradinhos pra fora. Ela entendeu rapidinho como era pra fazer e mamou um pouquinho do colostro, que era só o que eu tinha. Não doeu nada, e foi um dos momentos mais lindos da minha vida, onde me senti uma mulher mais completa do que jamais sonhei, e chorei.
AMAMENTANDO
Minha pequenininha mamou direitinho desde o começo.

No hospital ela mamava então o colostro mais o Nan. Aliás, é incrível como quase nenhum profissional da saúde apóia a amamentação. Tanto enfermeiras quanto pediatras tentam nos enfiar complemento goela abaixo. Aliás, já saí da maternidade com uma receita para comprar o leite em pó. Achei um absurdo, eles nem sabiam se eu ia precisar!
Decidida a dar só o peito pra minha neném, fui no segundo dia após o parto ao Banco de Leite e lá me disseram que a pega estava perfeita, eu não sentia dor quase nenhuma ao amamentar e estava tudo perfeito.
Bom, quase perfeito, pois em casa ela continuava nervosa após as mamadas, e eu desconfiava que era fome. Batia com a mãozinha no peito e ficava cada vez mais nervosa depois de mamar por alguns minutos.
NO PEDIATRA
Quando ela completou uma semana, tivemos uma consulta no pediatra. Lá ele me explicou que ela não estava ganhando peso como era esperado. Ele disse que todos os bebês perdem peso depois de nascer, que é normal e na verdade é o corpinho deles que está eliminando o excesso de líquido. Por isso eles nascem bem inchadinhos e vão desinchando com o passar dos dias. Mas que eles devem repor o peso perdido no nascimento em até uma semana.
No caso da Emily, foi assim:
- nasceu com 3,2 kg.
- saiu da maternidade com 3,0 kg.
- na consulta de uma semana: 2,8 kg.
Ela perdeu 200 g ao nascer, e uma semana depois não só ela não tinha reposto o peso como tinha emagrecido mais 200!
Ele recomendou que já passássemos comprar o leite artificial pra complementar, que ela precisava engordar.
Aqui faço uma observação importante. Esse foi o ponto que considero que errei. Ao invés de comprar o complemento e começar a dar pra ela, eu deveria ter saído daquela consulta e ido direto pro Banco de Leite novamente. Porque lá eles me diriam se concordavam com a opinião do médico ou não. E mesmo que concordassem, com certeza teriam feito de tudo pra me ajudar de todas as maneiras possíveis. Aprendi que na maioria das vezes os pediatras não entendem nada de amamentação. Mas na hora só pensei que ela estava emagrecendo por minha causa, e que eu precisava ajudá-la. Tão pequenininha e tão dependente de mim.
DANDO O COMPLEMENTO
Senti uma tristeza muito grande por precisar complementar com leite artificial. Sentia como se eu não conseguisse ser uma mãe completa pra ela, não conseguia prover tudo que minha filha precisava de mim. Mas nunca poderia vê-la passando fome. E realmente, assim que ela começou a tomar o Nan ela passou a chorar bem menos e dormir bem melhor.
Nas minhas leituras aprendi que a mamadeira leva ao desmame precoce. Confesso que não sabia se isso era exatamente verdade. As melhores opções são dar o leite numa seringa ou num copinho. Por via das dúvidas nos primeiros dias demos o complemento na seringa, mas ela não se adaptou muito não.
Passamos então para o copinho.
Mas além de cair muito leite fora da boquinha dela, demorava muito e ela também não se adaptou muito bem.
Precisamos então passar para a mamadeira mesmo. Ah, talvez nem todos os bebês desmamem por tomar mamadeira, pensei. Ela aceitou extremamente bem e a hora do mamá passou a ser muito mais fácil.
Eu continuava dando o peito sempre, mas ela só aceitava DEPOIS da mamadeira. Quase como uma sobremesa. rs. Acho que por sair pouco leite, quando ela estava com muita fome ficava nervosa e não tinha paciência de mamar as poucas gotinhas que eu produzia. Depois de encher a barriguinha ela aceitava bem melhor.
Eu estava muito feliz por ainda conseguir amamentar, mesmo que não exclusivamente.
A ROTINA DAS MAMADAS
Durante um mês e meio ela seguiu uma rotina bem estruturada e mamava a cada 3 hs. Sempre mamadeira e depois o peito. Muitas mamães preferem não estipular horários, mas aqui em casa decidimos assim e deu muito certo.
Até que antes de completar dois meses ela decidiu bagunçar todo o cronograma, e não aceitar mais o mamá na hora que nós estabelecíamos, mas sim na hora que ELA queria. Se oferecêssemos quando ela não estava com fome ela abria o berreiro. Então passamos a dar somente quando ela pedia.
O DESMAME
Infelizmente, o dia que eu mais temia chegou. A cada dia ela mamava menos no peito, até que com cerca de dois meses e meio ela parou de aceitar o peito de vez. Então, mamães, agora tenho certeza que dar mamadeira pro bebê faz SIM com que ele largue o peito muito cedo.
Nossa, que tristeza! Mas ao mesmo tempo que me sentia um fracasso como mãe, eu pensava "o que eu poderia ter feito de diferente?"
Voltei ao Banco de Leite, e fui atendida pela Roseli, que é um anjo na Terra! Ela me explicou a técnica da Relactação/Translactação (se você não viu, corre ler esse post aqui). Me disse que não podia me dar garantias, mas que havia sim uma chance de reverter a situação e ela voltar a mamar no peito.
Fui pra casa muito feliz e confiante que daria certo. Esperei o Junior chegar do trabalho e tentamos. Ela até pegou um pouquinho, mas logo depois percebeu que algo estava diferente e ficou muito brava, se recusando a mamar mais.
Fui novamente ao Banco de Leite no dia seguinte e a Roseli me disse que infelizmente tínhamos tentando mas não tinha dado certo. Que como ela já tinha quase três meses ela estava muito esperta, e que se tivéssemos tentando antes dos dois meses, quando ela ainda aceitava bem o peito, provavelmente teria dado certo.
Chorei, chorei, chorei e chorei. Como eu queria que desse certo!
Chorei de tristeza, claro, mas mais ainda de frustração, por pensar por que o pediatra não me orientou a oferecer o complemento dessa maneira para evitar o desmame? Será que esses profissionais não têm essa informação? Se não têm, por que não buscam um aprendizado constante? E se têm e decidem por não repassar, será por puro comodismo?
De qualquer maneira, ela me disse que não me culpasse, pois eu tinha feito de tudo para amamentar minha bebê, enquanto muitas mães têm muito leite e decidem não amamentar, chegando inclusive a passar pimenta no peito para que o bebê não mame! Fiquei chocada e com muita raiva ao pensar que existam mães assim (se é que podemos chamar de mães essas mulheres!).
Aliás, o que mais ouvi quando comentei que estava triste por ela ter parado de mamar no peito foi "Mas que diferença faz, ela mamar no peito ou tomar mamadeira? Minha filha só tomou mamadeira, e olha como está grande e forte!". Ou então "Boba, mamadeira é mais fácil do que dar peito, fique feliz!". Respeito as escolhas de cada um, mas gostaria que entendessem que amamentar era a minha.
Enfim, fiz realmente absolutamente tudo que poderia ser feito. Infelizmente não consegui nem chegar ao terceiro mês de amamentação, mas pelo menos ela mamou esse período e recebeu muitos anticorpos e muito amor no meu leite.
Não posso evitar uma pontada de inveja cada vez que vejo uma mãe dando o peito para seu bebê. Não daquela inveja ruim, de querer que aquela pessoa não tivesse aquilo, mas uma inveja de querer muito aquilo pra mim também. Puxa, eu tentei tanto!
Por isso tudo que contei pra vocês, é que quando alguém me vê dando mamadeira para a minha pequena e me critica por não amamentar, não tem noção de como me machuca fundo.
E por isso também quando as pessoas me encontram e perguntam "Ela mama no peito?", eu prefiro mentir com um "Sim" como resposta, do que explicar toda essa história. É bem mais simples e bem menos dolorido.
Quem sabe se tivermos um segundo filho, agora que tenho muito mais informação, o resultado seja outro.
Por enquanto fico contente em saber que mesmo minha filha tomando mamadeira, o vínculo que existe entre nós duas é muito forte. Mais forte do que muitas mães que acham que só amamentar é suficiente. Dedico todo o meu amor a ela, em todos os segundos do dia. E tenho certeza que ela sabe disso.
Bom, como contei nesse post aqui, me preparei bem para amamentar quando ainda estava grávida.
Juntamente com o sonho de ser mãe, estava o sonho de amamentar meu bebê. Mas já tinha lido muitos depoimentos pra saber que não é tão simples assim. Além disso, vários fatores dificultariam minha amamentação:
MOTIVOS PARA A FALTA DE LEITE
1. Dez anos atrás fiz cirurgia redutora de mamas. Infelizmente, o que acontece na maioria dos casos é que junto com a gordura são retiradas também muitas glândulas mamárias. Não me arrependo de ter feito a cirurgia, mas se eu soubesse que isso ia prejudicar quando tivesse meu bebê teria esperado para operar depois de ter filhos.
2. Escolhi fazer uma cesárea ao invés de parto normal. Em mamães que optam pela cesárea o leite demora mais a descer.
3. Na minha família as mulheres têm um histórico de pouco leite.
Mas apesar de todas essas dificuldades eu estava determinada e ia fazer tudo que estivesse ao meu alcance.
SOBRE DAR LEITE ARTIFICIAL NA MATERNIDADE
Quando estava mais ou menos no quarto mês de gestação, entrei num grupo do Facebook chamado Grupo Virtual de Amamentação (GVA). É excelente, aprendi muita coisa com as mamães de lá.
Foi lá também que li que mesmo quando o leite demora a descer após o parto, não deve-se dar o complemento na maternidade, pois isso enche a barriga do bebê e ele não tem fome para sugar o peito da mãe. E o ato de sugar é justamente o que é preciso para o leite descer. A conclusão então é que bebê que toma complemento na maternidade retarda e/ou dificulta a produção de leite da mãe, aumentando as chances de precisar de suplemento pra sempre.
Vou confessar a vocês que isso me assustou. Como eu tinha escolhido fazer uma cesárea (contei tudo sobre ela nesse post aqui), sabia que as chances eram que o leite demorasse alguns dias para descer. No grupo elas diziam que o bebê não sentiria fome, pois mamaria o colostro que eu produziria, mesmo que não visse nem sinal do leite, e que as poucas gotinhas que ele mamasse seriam suficientes para satisfazê-lo até o leite descer.
Entrei numa paranóia de não querer que dessem complemento no hospital. Cheguei a falar sobre isso com o pediatra que acompanharia o parto e até fui ao hospital conversar com a chefe de enfermagem. Mas ouvi de ambos a mesma resposta: que o procedimento padrão era dar SIM o complemento caso a mãe não tivesse leite, sob risco do bebê ter uma crise de hipoglicemia com consequências graves. E que se eu decidisse mesmo que não queria que dessem eu teria que assinar um termo de responsabilidade sobre qualquer problema que isso pudesse trazer ao meu bebê.
Bom, com tudo isso desisti né. Entre ela precisar de complemento pra sempre ou ter problemas de saúde por minha causa, não tive dúvidas e decidi deixar darem o leite caso fosse necessário.
O PRIMEIRO CONTATO
Como já contei aqui, eu pesquisei muito para aprender sobre a pega correta,para evitar dores, fissuras e até sangramento no peito.
Assim que a Emily nasceu e fui para a sala de recuperação da cesárea, lá mesmo a enfermeira me disse para colocá-la para mamar. Me entregou aquela trouxinha pequenininha e saiu. Eu, que nem podia levantar a cabeça da maca por causa da anestesia nem conseguia me erguer por causa do corte e dos pontos, precisava me certificar que ela pegaria o peito da maneira correta. Mas se eu não conseguia nem enxergar meu peito e muito menos a boquinha dela!
Pedi pra enfermeira me ajudar, porque eu não queria que ela pegasse errado. A resposta dela foi: "Mãe, bebê é igual bezerro, é só colocar ela no peito pra chupar". E saiu.
Então, eu arrumava a boquinha dela com meus dedos, para os lábios ficarem viradinhos pra fora. Ela entendeu rapidinho como era pra fazer e mamou um pouquinho do colostro, que era só o que eu tinha. Não doeu nada, e foi um dos momentos mais lindos da minha vida, onde me senti uma mulher mais completa do que jamais sonhei, e chorei.
AMAMENTANDO
Minha pequenininha mamou direitinho desde o começo.
No hospital ela mamava então o colostro mais o Nan. Aliás, é incrível como quase nenhum profissional da saúde apóia a amamentação. Tanto enfermeiras quanto pediatras tentam nos enfiar complemento goela abaixo. Aliás, já saí da maternidade com uma receita para comprar o leite em pó. Achei um absurdo, eles nem sabiam se eu ia precisar!
Decidida a dar só o peito pra minha neném, fui no segundo dia após o parto ao Banco de Leite e lá me disseram que a pega estava perfeita, eu não sentia dor quase nenhuma ao amamentar e estava tudo perfeito.
Bom, quase perfeito, pois em casa ela continuava nervosa após as mamadas, e eu desconfiava que era fome. Batia com a mãozinha no peito e ficava cada vez mais nervosa depois de mamar por alguns minutos.
NO PEDIATRA
Quando ela completou uma semana, tivemos uma consulta no pediatra. Lá ele me explicou que ela não estava ganhando peso como era esperado. Ele disse que todos os bebês perdem peso depois de nascer, que é normal e na verdade é o corpinho deles que está eliminando o excesso de líquido. Por isso eles nascem bem inchadinhos e vão desinchando com o passar dos dias. Mas que eles devem repor o peso perdido no nascimento em até uma semana.
No caso da Emily, foi assim:
- nasceu com 3,2 kg.
- saiu da maternidade com 3,0 kg.
- na consulta de uma semana: 2,8 kg.
Ela perdeu 200 g ao nascer, e uma semana depois não só ela não tinha reposto o peso como tinha emagrecido mais 200!
Ele recomendou que já passássemos comprar o leite artificial pra complementar, que ela precisava engordar.
Aqui faço uma observação importante. Esse foi o ponto que considero que errei. Ao invés de comprar o complemento e começar a dar pra ela, eu deveria ter saído daquela consulta e ido direto pro Banco de Leite novamente. Porque lá eles me diriam se concordavam com a opinião do médico ou não. E mesmo que concordassem, com certeza teriam feito de tudo pra me ajudar de todas as maneiras possíveis. Aprendi que na maioria das vezes os pediatras não entendem nada de amamentação. Mas na hora só pensei que ela estava emagrecendo por minha causa, e que eu precisava ajudá-la. Tão pequenininha e tão dependente de mim.
DANDO O COMPLEMENTO
Senti uma tristeza muito grande por precisar complementar com leite artificial. Sentia como se eu não conseguisse ser uma mãe completa pra ela, não conseguia prover tudo que minha filha precisava de mim. Mas nunca poderia vê-la passando fome. E realmente, assim que ela começou a tomar o Nan ela passou a chorar bem menos e dormir bem melhor.
Nas minhas leituras aprendi que a mamadeira leva ao desmame precoce. Confesso que não sabia se isso era exatamente verdade. As melhores opções são dar o leite numa seringa ou num copinho. Por via das dúvidas nos primeiros dias demos o complemento na seringa, mas ela não se adaptou muito não.
Passamos então para o copinho.
Mas além de cair muito leite fora da boquinha dela, demorava muito e ela também não se adaptou muito bem.
Precisamos então passar para a mamadeira mesmo. Ah, talvez nem todos os bebês desmamem por tomar mamadeira, pensei. Ela aceitou extremamente bem e a hora do mamá passou a ser muito mais fácil.
Eu continuava dando o peito sempre, mas ela só aceitava DEPOIS da mamadeira. Quase como uma sobremesa. rs. Acho que por sair pouco leite, quando ela estava com muita fome ficava nervosa e não tinha paciência de mamar as poucas gotinhas que eu produzia. Depois de encher a barriguinha ela aceitava bem melhor.
Eu estava muito feliz por ainda conseguir amamentar, mesmo que não exclusivamente.
A ROTINA DAS MAMADAS
Durante um mês e meio ela seguiu uma rotina bem estruturada e mamava a cada 3 hs. Sempre mamadeira e depois o peito. Muitas mamães preferem não estipular horários, mas aqui em casa decidimos assim e deu muito certo.
Até que antes de completar dois meses ela decidiu bagunçar todo o cronograma, e não aceitar mais o mamá na hora que nós estabelecíamos, mas sim na hora que ELA queria. Se oferecêssemos quando ela não estava com fome ela abria o berreiro. Então passamos a dar somente quando ela pedia.
O DESMAME
Infelizmente, o dia que eu mais temia chegou. A cada dia ela mamava menos no peito, até que com cerca de dois meses e meio ela parou de aceitar o peito de vez. Então, mamães, agora tenho certeza que dar mamadeira pro bebê faz SIM com que ele largue o peito muito cedo.
Nossa, que tristeza! Mas ao mesmo tempo que me sentia um fracasso como mãe, eu pensava "o que eu poderia ter feito de diferente?"
Voltei ao Banco de Leite, e fui atendida pela Roseli, que é um anjo na Terra! Ela me explicou a técnica da Relactação/Translactação (se você não viu, corre ler esse post aqui). Me disse que não podia me dar garantias, mas que havia sim uma chance de reverter a situação e ela voltar a mamar no peito.
Fui pra casa muito feliz e confiante que daria certo. Esperei o Junior chegar do trabalho e tentamos. Ela até pegou um pouquinho, mas logo depois percebeu que algo estava diferente e ficou muito brava, se recusando a mamar mais.
Fui novamente ao Banco de Leite no dia seguinte e a Roseli me disse que infelizmente tínhamos tentando mas não tinha dado certo. Que como ela já tinha quase três meses ela estava muito esperta, e que se tivéssemos tentando antes dos dois meses, quando ela ainda aceitava bem o peito, provavelmente teria dado certo.
Chorei, chorei, chorei e chorei. Como eu queria que desse certo!
Chorei de tristeza, claro, mas mais ainda de frustração, por pensar por que o pediatra não me orientou a oferecer o complemento dessa maneira para evitar o desmame? Será que esses profissionais não têm essa informação? Se não têm, por que não buscam um aprendizado constante? E se têm e decidem por não repassar, será por puro comodismo?
De qualquer maneira, ela me disse que não me culpasse, pois eu tinha feito de tudo para amamentar minha bebê, enquanto muitas mães têm muito leite e decidem não amamentar, chegando inclusive a passar pimenta no peito para que o bebê não mame! Fiquei chocada e com muita raiva ao pensar que existam mães assim (se é que podemos chamar de mães essas mulheres!).
Aliás, o que mais ouvi quando comentei que estava triste por ela ter parado de mamar no peito foi "Mas que diferença faz, ela mamar no peito ou tomar mamadeira? Minha filha só tomou mamadeira, e olha como está grande e forte!". Ou então "Boba, mamadeira é mais fácil do que dar peito, fique feliz!". Respeito as escolhas de cada um, mas gostaria que entendessem que amamentar era a minha.
Enfim, fiz realmente absolutamente tudo que poderia ser feito. Infelizmente não consegui nem chegar ao terceiro mês de amamentação, mas pelo menos ela mamou esse período e recebeu muitos anticorpos e muito amor no meu leite.
Não posso evitar uma pontada de inveja cada vez que vejo uma mãe dando o peito para seu bebê. Não daquela inveja ruim, de querer que aquela pessoa não tivesse aquilo, mas uma inveja de querer muito aquilo pra mim também. Puxa, eu tentei tanto!
Por isso tudo que contei pra vocês, é que quando alguém me vê dando mamadeira para a minha pequena e me critica por não amamentar, não tem noção de como me machuca fundo.
E por isso também quando as pessoas me encontram e perguntam "Ela mama no peito?", eu prefiro mentir com um "Sim" como resposta, do que explicar toda essa história. É bem mais simples e bem menos dolorido.
Quem sabe se tivermos um segundo filho, agora que tenho muito mais informação, o resultado seja outro.
Por enquanto fico contente em saber que mesmo minha filha tomando mamadeira, o vínculo que existe entre nós duas é muito forte. Mais forte do que muitas mães que acham que só amamentar é suficiente. Dedico todo o meu amor a ela, em todos os segundos do dia. E tenho certeza que ela sabe disso.


